Mulher QuilombolaPodemos observar que, na história dos Palmares e dos quilombos do Brasil em geral, havia uma disparidade muito grande em relação ao número entre homens e mulheres. Isso acontecia devido ao processo de chegada dos escravos trazidos da África, desde o início da exploração escravista, uma vez que os senhores de escravos preferiam comprar homens jovens a mulheres, devido à força de trabalho oferecida. Essa desproporção refletiu na população quilombola, onde se calculava uma média de que para cada mulher, havia três ou mais do sexo masculino. 

Havia, na comunidade palmarina, a prática da poliandria, ou seja, uma mulher sempre tinha vários parceiros concomitantes e filhos desses homens. O casamento monogâmico, que era imposto pelos senhores, certamente iria gerar uma anomalia na população de Palmares devido à grande diferença entre os gêneros. Porém, estima-se historicamente que essa poliandria praticada pelas mulheres não era com intuito planejado de regulação populacional, mas sim por costumes de suas terras natais, além de evitar a contenda entre os próprios homens quilombolas pela falta de uma companheira em detrimento dos outros negros.

Entre os homens, que ocupavam posições hierárquicas mais relevantes, era observada a poligamia, em número menor do que a prática da poliandria, onde um sempre tinha duas, três ou mais mulheres. Ganga Zumba, por exemplo, tinha três esposas, e Zumbi teve algumas, as quais não se sabe exatamente quantas, sabendo-se porém, que uma delas era branca.

As mulheres exerciam papéis fundamentais no quilombo, que eram os de cuidar de negros feridos em combates, além, é claro, de cuidar das famílias e dos afazeres domésticos. Eram também a principal força de trabalho do artesanato com palha de palmeiras, fazendo diversos artigos como chapéus, redes, bolsas femininas, entre outros, uma das principais fontes de rentabilidade da economia dos palmarinos.

Há registros históricos que mostram até a participação de mulheres em muitos combates dos negros contra a capitania: elas utilizavam até água fervente como arma contra os inimigos do quilombo.